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Terras Raras: por que esses minerais viraram peça-chave na geopolítica mundial e no futuro do Brasil?

Em maio de 2026, durante encontro na Casa Branca, os presidentes Lula e Trump colocaram as terras raras no centro da conversa, após meses de reuniões entre técnicos brasileiros e norte-americanos. Na mesma semana, a Câmara dos Deputados aprovou a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), projeto que ainda depende de aprovação no Senado e que o governo apresenta como um marco capaz de redesenhar o papel do Brasil no cenário global.

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O motivo de tanto interesse está nas propriedades desses elementos: terras raras são um grupo de 17 metais que, apesar do nome, não são escassos na crosta terrestre; o desafio está em encontrá-los em concentrações viáveis e em separá-los, processo caro e complexo.

Esses metais têm características químicas únicas, que nenhum outro material substitui com a mesma eficiência. Estão presentes em quase tudo: motores de carros elétricos, turbinas de energia eólica, baterias, celulares, telas e até equipamentos militares. Como o mundo moderno depende tanto deles, as terras raras viraram peça central nas disputas entre os países.

O problema não é a falta desses minerais no planeta, mas sim o fato de que tudo passa pela China, que extrai cerca de 70% das terras raras do mundo e processa mais de 90% delas, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Isso dá ao país um controle enorme sobre esse mercado, o que pode representar uma ameaça para outras nações.

Para não depender só dos chineses, outros países saíram em busca de novos fornecedores. É aí que o Brasil entra em cena.

O Brasil no centro da disputa

O país detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, cerca de 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China. Grande parte dessas reservas está em um tipo de solo chamado argila iônica. Esse material é mais fácil e mais barato de extrair, além de causar menos danos ao meio ambiente.

O potencial já atrai capital: uma empresa americana comprou a mineradora Serra Verde, em Goiás, por US$ 2,8 bilhões, e a russa Rosatom e a chinesa CNMC também fecharam negócios no setor, sinal de que o país pode deixar de exportar matéria-prima para virar protagonista de uma cadeia de alto valor agregado.

Foi justamente esse cenário que esteve no centro da conversa entre Lula e Trump. Segundo Lula, o Brasil está disposto a compartilhar seu potencial em minerais críticos com países interessados em investir, desde que sejam respeitadas condições como soberania nacional e transferência de tecnologia, uma posição que ainda depende de como será negociada na prática. Ele também apresentou a Trump o marco legal recém-aprovado pela Câmara, num movimento interpretado como uma tentativa de transmitir segurança jurídica em meio à disputa com a China.

O Projeto de Lei 2780/2024 institui um fundo garantidor com aporte inicial de R$ 2 bilhões da União para destravar crédito a projetos de mineração, além de R$ 5 bilhões em incentivos fiscais para estimular o beneficiamento desses minerais no país, em vez da simples exportação da matéria-prima bruta. O tema deve seguir em pauta nos próximos meses, à medida que o projeto avança no Senado, onde pode sofrer alterações, e o Brasil tenta consolidar sua posição em uma disputa que já envolve outros países.

Para um país com a segunda maior reserva do mundo, a forma como essa política for conduzida pode definir se o Brasil seguirá exportando apenas matéria-prima ou conseguirá agregar valor a um recurso cada vez mais estratégico para a economia global.

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