Depois de mais de duas décadas de negociação, o acordo entre Mercosul e União Europeia deixou de ser uma promessa e virou realidade prática: em 1º de maio de 2026, a parte comercial do tratado entrou em vigor de forma provisória.
Para empresas estrangeiras que já vinham de olho na América do Sul, a pergunta deixou de ser “o acordo vai sair do papel?” e passou a ser “o que já vale, o que ainda falta, e por que o Brasil segue sendo o ponto de partida mais lógico para entrar na região”.
Nem tudo entrou em vigor ao mesmo tempo
Um detalhe pouco comentado é que o acordo foi dividido em duas partes com ritmos diferentes. O Acordo Interino de Comércio (ITA), que trata de acesso a mercados e redução de tarifas, começou a valer em maio porque dependia apenas da ratificação dos países do Mercosul e da aprovação da União Europeia como bloco.
Já o Acordo de Parceria (EMPA), que cobre cooperação política e governança ambiental, exige a ratificação individual de cada um dos 27 países da União Europeia, incluindo alguns com resistência declarada, como França, Polônia e Irlanda.
Na prática, isso significa que a parte que interessa a quem pensa em operar na região, eliminação de tarifas para milhares de produtos, já está em curso, mesmo com a dimensão institucional do acordo ainda em processo de consolidação nos próximos anos.
Por que o Brasil segue sendo o ponto de entrada mais lógico?
O Mercosul opera com uma Tarifa Externa Comum (TEC), o que faz o bloco negociar com o mundo como uma unidade só. Isso tem uma consequência direta para empresas estrangeiras: instalar operação em um dos quatro países do bloco facilita o acesso aos outros três, e acordos fechados pelo bloco como um todo tendem a beneficiar quem já está operando dentro dele.
O Brasil concentra a maior economia e o maior mercado interno do grupo, o que naturalmente atrai um número expressivo de multinacionais que já usam o país como plataforma regional, uma espécie de prova social para quem ainda está decidindo onde instalar a primeira operação sul-americana.
O que é realmente novo em relação a alguns meses atrás
Enquanto o acordo com a UE avançava, o Brasil também seguiu negociando em paralelo. O país tem avançado em acordos comerciais adicionais com Singapura e com os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), como parte de uma estratégia mais ampla de diversificação de parceiros comerciais. Isso reforça um ponto que só fica mais claro agora: a abertura comercial do Brasil não depende de um único acordo, é uma tendência em curso, com o Mercosul-UE como o capítulo mais recente e visível dela.
Do lado jurídico, também vale registrar que o Parlamento Europeu pediu um parecer ao Tribunal de Justiça da União Europeia sobre a compatibilidade do acordo com os tratados europeus, um processo que pode levar até dois anos, mas que não interrompe a vigência comercial já em curso. Para quem avalia entrar no mercado agora, isso significa operar sob regras já válidas, mesmo com alguns detalhes institucionais ainda em aberto.
O que isso muda na prática para quem está decidindo entrar agora
Instalar uma operação no Brasil não é apenas uma decisão sobre onde ficar fisicamente, mas de como acessar um mercado regional inteiro. Com a parte comercial do acordo Mercosul-UE já em vigor, entrar pelo Brasil agora significa operar em um momento em que a integração comercial da região deixou de ser uma perspectiva e se transformou em realidade.
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